Júlio colocou a chave no trinco da porta e girou, entrou, jogou a maleta no sofá, fechou a porta atrás de sí, como bem fazia todo santo dia. cumprimentou seu apartamento, vazio. Mais um dia de trabalho tinha sido retirado de seus ombros. foi à geladeira e abriu aquela garrafa de vinho guardada há algumas semanas, encheu uma taça, até a boca, com gosto. sentado na cadeira de plástico na sacada, afrouxou a gravata e desabotou a camisa. e sentiu o cansaço se esvair enquanto a fumaça do cigarro recém aceso invadia seus pulmões. o céu, visto do décimo andar, estava negro, a cidade estava prestes a ser açoitada por uma chuva daquelas. terminou i vinho e o cigarro e deu uma ultima olhada no céu chuvoso antes de entrar. virou de costas pra sacada e o seu apê nunca pareceu tão grande e silencioso. ficou ali parado por o que pareceram semanas, olhando as paredes e os sorrisos nos porta-retratos. de repende percebeu o quanto aquele silêncio era sufocante. o vento entrando pela janela, uma torneira pingando, o barulho do relógio, as cortinas lhe lambendo as costas, ninguém.
sentando no chão da sala com a garrafa de vinho na mão, ele olhava o porta retrados enquanto soluçava o nome dela e as lágrimas tocavam o canto dos lábios, se misturando com o vinho. se viu correndo e voando através da sacada inúmeras vezes, mas não tinha a coragem pra isso. o som no último volume pra abafar o silêncio, as luzes apagadas e a chuva castigando a selva de pedra do lado de fora da janela
. ele não tinha ninguém, ele não era ninguém, só mais um palhaço sem graça. virou o último gole (que normalmente seriam uns três ou quatro) do vinho e se deitou no tapete da sala, os pés se esfregando no chão a procura de outros pra se aquecer e encontrando apenas os pelos do tapete. as horas passaram e a manhã trouxe um júlio que despertou em silêncio. as atividades matinais se passavam, banho, barba, café, pão, manteiga, terno, maleta, porta e ele saiu, saiu sem sequer uma expressão no rosto, mais um dia de trabalho o esperava.
domingo, 29 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
505
Ele atravessava aquele corredor longo, já era familiar com o lugar. Sempre que chegava alí, na ultima porta, e via o "505" de bronze, tinha uma sensação que não sabia explicar. Era como se o mundo acabasse naquele batente, e a partir dali era um mundo só dele, profano e, principalmente, quente. Chegando no quarto totalmente escuro, a não ser por um par de velas chorando em cima da cômoda, já a viu deitada, esperando por ele, com aqueles cabelos longos caindo sobre os ombros e exalando aquele cheiro hipnotizante. A partir desse instante o tempo parou, sentiu como se tivesse passado horas só olhando para ela. O música alta preenchia o quarto e silenciava os leves estalos das velas. Ele enlouquecia aos poucos, louco pra reinar sobre aquela cama, dominar e tomar para si cada pedaço daquele corpo nu e insanamente cheiroso, mas ele foi bem devagar, como um animal à espreita de sua presa. Mas assim que o primeiro toque aconteceu, ela puxou suas roupas e pêlos com voracidade e ,dentro de segundos, já não haviam mais barreiras, nem roupas, nem fala. Só a música, as velas e a respiração sincronizada dos dois, que já ignoravam completamente o tempo e o mundo do lado de fora do 505. Pele com pele, rosto com rosto, alma com alma. E com um grito sufocado ele se declarou rei daquela terra e a sua única súdita cedeu. Ficaram deitados ali por horas sem dizer uma palavra, elas não eram necessárias. Quando ele finalmente se levantou, se vestiu e olhou pra ela na cama e ela, olhando de volta, queria dizer tanta coisa mas não quis estrgar aquele momento com palavras, só aquilo bastava. Ele se vestiu, lhe deu um beijo e saiu deixando aquele mundinho no fim do corredor, o mundo 505, pra trás.
terça-feira, 3 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
pra começar, um self-titled
Pequenos, grandes, os bons, os vagabundos, aqueles que só funcionam um lado, inteiros conosco, dividindo com alguém, meu companheiro, minha razão de ser andarilho. Um dia sem eles deve ter umas 47 horas! E podem me dizer que o meu destino é a surdez, porque prefiro mergulhar no silêncio eterno de maneira plena, sem passar um dia sem que eles berrem arte em meus ouvidos, porque com eles não ando nas calçadas e sim no universo que é criado em minha mente.
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