Júlio colocou a chave no trinco da porta e girou, entrou, jogou a maleta no sofá, fechou a porta atrás de sí, como bem fazia todo santo dia. cumprimentou seu apartamento, vazio. Mais um dia de trabalho tinha sido retirado de seus ombros. foi à geladeira e abriu aquela garrafa de vinho guardada há algumas semanas, encheu uma taça, até a boca, com gosto. sentado na cadeira de plástico na sacada, afrouxou a gravata e desabotou a camisa. e sentiu o cansaço se esvair enquanto a fumaça do cigarro recém aceso invadia seus pulmões. o céu, visto do décimo andar, estava negro, a cidade estava prestes a ser açoitada por uma chuva daquelas. terminou i vinho e o cigarro e deu uma ultima olhada no céu chuvoso antes de entrar. virou de costas pra sacada e o seu apê nunca pareceu tão grande e silencioso. ficou ali parado por o que pareceram semanas, olhando as paredes e os sorrisos nos porta-retratos. de repende percebeu o quanto aquele silêncio era sufocante. o vento entrando pela janela, uma torneira pingando, o barulho do relógio, as cortinas lhe lambendo as costas, ninguém.
sentando no chão da sala com a garrafa de vinho na mão, ele olhava o porta retrados enquanto soluçava o nome dela e as lágrimas tocavam o canto dos lábios, se misturando com o vinho. se viu correndo e voando através da sacada inúmeras vezes, mas não tinha a coragem pra isso. o som no último volume pra abafar o silêncio, as luzes apagadas e a chuva castigando a selva de pedra do lado de fora da janela
. ele não tinha ninguém, ele não era ninguém, só mais um palhaço sem graça. virou o último gole (que normalmente seriam uns três ou quatro) do vinho e se deitou no tapete da sala, os pés se esfregando no chão a procura de outros pra se aquecer e encontrando apenas os pelos do tapete. as horas passaram e a manhã trouxe um júlio que despertou em silêncio. as atividades matinais se passavam, banho, barba, café, pão, manteiga, terno, maleta, porta e ele saiu, saiu sem sequer uma expressão no rosto, mais um dia de trabalho o esperava.

Só não gostei do final, você interrompeu muito bruscamente o conto, poderia ter deixado rolar mais... Eu gosto dessa tua maneira de escrever com períodos curtos e preferindo o ponto em seguida à vírgula. Flui melhor.
ResponderExcluirEi, vamos quinta no Studio Pub, 21h? Vai ter a estreia do clip da banda mostarda na lagarta, eles são bem engraçados. Para os primeiros 50 convidados a chegar será distribuído o cd.
Beijos!
Como eu sou do contra, achei legal tu teres interrompido o ritmo. Mais ou menos como o dia chega, junto com a rotina e a vida que a pensa que não vale mais nada, nada mais conta quando estamos mesmo naquele pico de tristeza e de repente é como se o sol viesse chamando: - Ok, a noite acabou, hora de fingir um pouquinho.
ResponderExcluirSEmpre apreciei essa idéia de como qualquer coisa insignificante é capaz de romper as capsulas nas quais as pessoas se envolvem, sejam elas de dor ou felicidade.
estranho isso vir de mim, mas... ficou perfeito! eheheheh. Bora conversar com meu tio depois, rola uma exposição de algumas cositas tuas! apenas uma proposta! abraaço!
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